Revéillon é a na Play!
Ah sim, eu esqueci de dizer que ia discotecar na Play! na semana passada, mas como deu para perceber o Drops anda um pouco parado, já que estamos todos tirando um recessinho de Natal e Ano Novo. A noite foi muito bacana e quem não compareceu, deixou de escutar muito rock até às 5h50 da manhã.
A Play! continua essa semana e faz uma edição especial de Ano Novo, nesta quinta-feira, dia 31 de dezembro, a partir das 22h. Os nossos queridos Marcos Pinheiro e Penny Lane irão discotecar, juntamente com os convidados Flávio Forgotten, Alysson Lago, Ruiz Lopes e Weirdo e Thiago Freitas. Gonzalo Insônia, o residente, também estará por lá. Os ingressos custam R$ 15,00 (antecipados) e R$ 20,00 (na hora). Você pode encontrá-los na A.loja.com. Mais informações no site.
Feliz Ano Novo para todos e em 2010 o Drops Cultural volta com mais novidades para vocês!
A primeira pergunta que se faz quando você descobre que saiu o novo disco da Mallu Magalhães em dezembro é: “Quem deixou isso acontecer?”.
Não é de hoje, que vemos lançamentos serem adiados para saírem num mês melhor. Ano passado, os fãs de Lily Allen tiveram que esperar “pacientemente” até fevereiro deste ano para poderem ouvir It's Not Me, It's You, disco que já estava pronto há mais de 6 meses. Um exemplo mais próximo é a banda Watson, que resolveu lançar seu primeiro disco em março de 2010, embora já esteja prontinho.
A menina, agora quase mulher (Mallu completou seus 17 anos), deixou a independência de lado e agora trabalha com a Sony/BMG. Na contramão, o disco foi produzido por um dos caras mais importantes do indie, Kassin. É nítida a influência do produtor e músico no disco da garota. Em músicas como “Nem fé, nem santo” e “Shine Yellow”, encontramos todos aqueles barulhinhos característicos de suas bandas (+2 e o projeto Artificial), mas claro no tom para um disco meio folk. É, meio.
Embora o principal caminho seja o folk, Mallu se arriscou mais neste álbum. Há um pouco de country, ska, blues e até reggae. Também deixou a vergonha de lado e resolveu escrever mais canções em português, das 13 que compõem o disco, seis são na língua mãe.
Mas o jeito meio Bob Dylan de cantar continua presente. Aquele jeito meio arrastado e com a voz às vezes por falhar. Talvez seja para não forçar a voz, já que Mallu descobriu um cisto na corda vocal, onde se instalam uma rachadura e um calo.
A cantora e compositora mostra mais maturidade em suas letras e músicas, mas poderia ter sido mais criativa na hora de escolher o nome do disco, que mais uma vez se chama Mallu Magalhães.
Destaque para “Make it Easy”, “O Herói e o Marginal” e "Shine Yellow", cujo o videoclipe você pode assistir aí abaixo:
Entrevista - Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta
A Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta nasceu em 2003, quando Ronei Jorge resolveu montar uma banda e foi chamando a galera para participar. Edson Rosa (guitarra e vocal), Sérgio Kopinski (baixo e vocal) e Maurício Pedrão (bateria) aceitaram o convite e estão até hoje com na banda, que lançou este ano o seu segundo disco “Frasco Comprimidos Compressas”. A banda conseguiu ganhar o edital do programa Petrobras Cultural e o álbum teve uma produção mais elaborada. Além de disco físico, a banda resolveu disponibilizar o álbum para download gratuito no site oficial da banda. O primeiro disco, que é homônimo, saiu em 2005 e como toda banda independente teve seus problemas. Para falar sobre esse novo lançamento e um pouco sobre a banda, conversamos com Ronei. Confira:
Drops Cultural: Ronei, a banda nasceu a partir de você. Neste último disco, Frascos Comprimidos Compressas (2009), por exemplo, as letras são todas suas (com exceção de “Circule seu Sangue”). A Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta não poderiam ser encarados como um projeto seu, que acabou por ser tornar uma banda?
Ronei Jorge: Na verdade, as letras e músicas são minhas, com exceção de “Circule seu Sangue” que letra é minha e a música é uma parceria com Edson Rosa. Isso acontece desde a primeira banda que tive. Sempre tive o papel de levar a canção pronta (letra, melodia e harmonia) pra que depois a banda fizesse o arranjo. É uma prática mais comum do que se imagina. Assim foi com os Beatles, Roxy Music, Pink Floyd, Los Hermanos e etc… Acho que é um projeto conjunto de um compositor e uma banda, é a junção dos dois.
Drops Cultural: Como surgiu o convite dos outros integrantes?
Ronei Jorge: Eu já conhecia Pedrão. Chamei ele pela afinidade musical. Edson tocava com Pedrão numa banda de música brasileira instrumental. Pedrão chamou Edinho e tínhamos que arranjar um baixista. Sérgio foi o único que não conhecíamos, até porque ele era o único que não tocava no mesmo circuito de bandas.
Drops Cultural: Em 2005, o grupo lançou um disco homônimo. Por que só agora, 04 anos depois, saiu o segundo?
Ronei Jorge: Basicamente porque banda independente não tem grana disponível pra gravar todo ano. Acabou sendo bom, porque demos uma amadurecida no repertório, nos arranjos e nas canções.
Drops Cultural: Vocês acabaram provando a “glória” de lançar um disco com incentivo da Petrobras. Mas conta para gente as dificuldades de se gravar um bom disco, como vocês fizeram com o primeiro. E mesmo com as facilidades de hoje, o que está uma banda querendo gravar um disco pode esperar pela frente?
Ronei Jorge: A gente teve uma oportunidade incrível de poder gravar o primeiro disco com Luiz Brasil. Ele se entregou ao projeto totalmente. Tivemos que tirar do bolso pra fazer o disco e contar com o apoio de Luiz e de alguns amigos. Acho que o artista independente tem que buscar alternativas para poder gravar, enfim, registrar o seu trabalho. A alternativa para a gravação do segundo CD foi fazer o projeto para o Petrobras de música. Com a conquista do edital, pudemos chamar Pedro Sá para produzir e gravar em melhores condições, com mais tempo de estúdio. Mas mesmo com o Petrobras contamos com a colaboração de todos, inclusive do próprio Pedro Sá. Para viabilizar o próximo passo temos que pensar em outra alternativa.
Drops Cultural: Muita gente sempre pergunta se nessa era digital vale mesmo a pena lançar um disco físico. Já que o álbum se tornou apenas um cartão de visitas. Quais os prós e os contras que você aponta em um lançamento físico?
Ronei Jorge: Não vejo nada que seja ruim em lançar o disco. Acho que continua sendo o melhor registro de um trabalho, o mais fiel em termo de som. Geralmente, o som disponibilizado na internet não é tão bom quanto o do disco. Outra coisa que dança também é a ordem das faixas, coisa que acho muito interessante no formato físico. Nem sempre um trabalho funciona com faixas separadas. Tem a arte, a relação tátil, o fato de ir pra loja comprar o disco. Olha, até virar o lado de disco eu gosto. Dito isto, admito que, com a internet, o mundo se abriu, as pessoas passaram a ouvir muito mais coisa, o trabalho do artista pode chegar nos lugares com muito mais velocidade, ele pode apresentar o seu trabalho com mais facilidade.
Drops Cultural: O Forgotten Boy pensou certa vez em fazer o álbum e dar de presente uma mídia para as pessoas baixarem o disco no site deles. Queria saber o que passou pela cabeça de vocês para divulgar este novo álbum. Ou vocês preferiram mesmo fazer da forma tradicional?
Ronei Jorge: Eu acho que pra a gente foi bom fazer as duas coisas: disponibilizar o disco na internet e ter o disco físico. Acho que um não anula o outro. Tem gente que gosta do disco com capa, encarte, fica atento a quem tocou o quê, quem compôs tal musica. Tem gente que só quer ter a música, que não se importa com outra informação. Depende do freguês. Eu gosto de pensar em capa, em encarte, ordem das músicas, gosto de saber quem toca o quê em cada faixa, quem são as participações especiais, quem fez a arte, ler as letras, pegar no disco. Isso faz parte de minha cultura de consumidor de música e aprendi muito com isso, mas é geracional, hoje já é diferente. Não é melhor nem pior, é diferente.
Drops Cultural: Ronei, você é o compositor principal da banda. Ninguém nunca chegou com uma letrinha para você não?
Ronei Jorge: É o que disse antes. Há um grande equívoco quando se pensa em compositor unicamente como letrista. Compositor faz letra, música e harmonia. A não ser que ele tenha algum parceiro. Nesse caso ele pode ser só letrista, ou só melodista, ou dividir as funções, fazer só a harmonia…
Por exemplo, acabei de participar de um trabalho de trilha para uma peça e três músicas foram criadas a partir de letras produzidas pelos diretores. Eu compus somente a harmonia e melodia.
Eu sempre fiz letra e música, mas nunca impedi que alguém da banda fizesse parte disso. Tanto que incentivo Edson a fazer mais música, pois ele é um ótimo compositor, mas ele não se entusiasma tanto. Agora, eu tenho parcerias fora da banda. Fiz mu sica com Paquito (compositor soteropolitano), Lucas Santtana, Adalberto Filho (do Numismata) e Luizão Pereira (Dois em Um). Acho que o pessoal da banda gosta do que eu faço e prefere deixar assim.
Drops Cultural: E na hora de compor a música? Os meninos participam ou os ladrões são responsáveis mesmo pelo show?
Ronei Jorge: O processo é o seguinte:
Eu vou ao estúdio com o violão e toco a música que fiz em casa: letra, melodia e harmonia. Eles ouvem e começam a fazer os arranjos, decidem sobre: andamento, introdução, solos, dinâmica, compassos, convenções… Todos nós participamos dos arranjos, inclusive dando pitaco no instrumento do outro. Esse é o nosso método, mas tem banda que o cara vai com um texto na mão, a banda toca alguma coisa e o cara sai cantando.
Drops Cultural: Vocês estão numa safra muito boa de músicos de Salvador e conseguiram tirar aquele estigma de que “Bahia só tem axé”. Embora vários músicos tenham provado que isso é mentira. Hoje, como está a cena independente de Salvador?
Ronei Jorge: O cenário musical de Salvador sempre foi muito rico. Ele ficou um pouco obscurecido com a indústria da Axé Music, que conseguiu se expandir e acabou se formalizando como “música baiana”. Ficou uma coisa meio folclórica e turística, não que no meio da Axé Music não tenha coisa boa. Tem muita coisa boa que foi enquadrada nesse rótulo. Mas de qualquer forma, esse rótulo aprisionou a Bahia em um formato.Logo aqui, que teve um cara dos primórdios do Rock e ótimo artista, Raul Seixas; uma banda de rock das mais populares, Camisa de Vênus; e quatro dos mais conhecidos caras da música popular brasileira: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dorival Caymmi e João Gilberto. Isso sem falar em Novos Baianos, Tom Zé, Gal Costa, Bethânia... Aqui sempre foi diversificado. Teve banda de Hard Rock boa, como a Úteros em Fúria, a melhor banda de psichobiilie que eu já ouvi, Dead Billies, a banda indie Brincando de Deus, a banda pop Penélope. Hoje tem Cascadura, Retrofoguetes, Orquestra Rumpillez, Baiana System, Mariella Santiago etc… Como todo estado brasileiro, rola uma diversidade muito grande.
Drops Cultural: Percebi que “Frascos Comprimidos Compressas” tem muitas músicas que falam de amor. Coisa que acontece com outra banda que já entrevistamos aqui no Drops Cultural, a Transmissor, com sua “Sociedade do Crivo Mútuo”. Porém, a música que dá nome ao disco foi a que mais me chamou atenção. Você pode contar a história dela?
Ronei Jorge: Ela é uma música que fala de relacionamento. Acho que o disco fala mais de relacionamento do que de amor. Essa letra fala um pouco da busca por uma resposta sentimental rápida, da urgência em se sentir correspondido.
Drops Cultural: Como foi a escolha de “Vidinha” para o single?
Ronei Jorge: Nós não escolhemos “Vidinha” para single. A música que tem tocado na rádio daqui é “Você sabe dessas coisas”.
Drops Cultural: Para finalizar, onde foram tiradas as fotos que compõem o encarte de “Frascos Comprimidos Compressas”?
Ronei Jorge: No apartamento de um conhecido de Oske, o fotógrafo. Ele colheu algumas imagens depois de tirar fotos da gente dentro de um apartamento de um amigo.
Pete decidiu convidar Scarlett para fazer um disco minimalista. Break Up é singelo, frágil e pequeno, sim, pequeno. O disco conta com nove faixas que chegam aos seus 29 minutos.
Quem virou a cara para o primeiro disco da nova musa de Woody Allen, o Anywhere I Lay My Head, que funcionava como um tributo a Tom Waits, agora pode dar uma nova chance para a moça. Ela parece ter crescido. E neste segundo álbum trabalha como coadjuvante, apenas dando auxílio ao músico, que não teve medo de arriscar e a deixou usar sua voz com toda a liberdade.
Break Up é um disco para qualquer hora e momento. Faixas como “Relator” funcionam bem em vários ambientes, acompanhado ou não. Destaque também para “Clean”, que remete a baladas tristes de Cat Power, com discretas batidas eletrônicas. Em seus melhores momentos, Pete e Scarlett provam que a parceria deu bons frutos. Scarlett se encontrou e deu um ponto final satisfatório àqueles que a criticaram na sua primeira caminhada pelo mundo musical.
Acordei com vontade de escutar Belle & Sebastian. E você?
I'm a cuckoo
No ingresso para o show da Rita Lee haviam dois horários. Um indicando a abertura da casa e o outro o horário do show. Pecou quem viu apenas um e chegou lá cedo como eu. É, ou era de praxe, que todos os shows no Centro de Convenções começassem apenas meia-hora atrasados, isso se atrasassem. Deixando de começar às 21h para começar às 21h30. As coisas mudam, né?
Enquanto Rita Lee assistia a “novela das 8”, quem esperava do lado de fora teve que ouvir covers de MPB e Pop Rock (num volume desagradavelmente alto) e poderia consumir pelo bar.
A entrada para o teatro só foi liberada às 22h. Lá dentro, músicas instrumentais dos anos 60 e música clássica.
Marcada para às 22h30, a apresentação para a divulgação do DVD Multishow Ao Vivo Rita Lee, só foi começar às 22h55, mostrando que muito provavelmente havia acontecido alguma coisa na coxia. Vaias já eram ouvidas, quando uma música alta foi jogada e instantes depois Rita Lee subiu ao palco.
Cheio de sucessos, que foram desde “Amor e sexo” a “Doce Vampiro”, Rita mostrou que mesmo no alto de seus 64 anos está cheia de energia. Ela não consegue ficar parada um minuto. Enquanto apresentava a banda, por exemplo, andava para lá e para cá no palco, sempre fazendo uma brincadeira com os músicos. Quando foi apresentar o marido, Roberto Carvalho, disse: “E esse é o presidente vitalício da minha vida”, revelando que mesmo depois de tanto tempo, o amor ainda reina.
A cantora também mostrou que está antenada com o que está acontecendo na política do país. Quando teve a oportunidade, comentou sobre o escândalo do pagamento de propina, que seria capitaneado pelo governador José Roberto Arruda. Tirou sarro dos próximos candidatos à presidência, criticou o voto obrigatório, falou mal da novela de Manoel Carlos, elogiou a “Cinquentinha” (nova minissérie da Globo) e até brincou com Michelle, a primeira-dama dos Estados Unidos, antes de cantar “Bwana”.
Muito divertida e descontraída, Rita só pareceu se aborrecer um pouco quando ouviu um “mala maluco” gritando de lá: “Toca Raul!”. Sem perder a majestade, disse: “Sabia!” e fez uma pequena versão para “Como vovó já dizia”. Com muito humor, ela ainda falou: “Eu não sei nem cantar as minhas músicas mais e você me faz um negócio desses? Tô até com uma colinha aqui.”, se referindo as letras no palco.
Com cola, ou sem cola, o brilho de Rita Lee não seria ofuscado. Destaque para o momento em que Rita canta “Ovelha Negra” e no telão passam várias fotos dela e capas de seus tantos discos. Mesmo terminando com “Agora Só Falta Você”, o público quis mais e foi brindado no bis com “Ando Meio Desligado”, “Mania de Você, “Erva Venenosa”, “Lança-Perfume” e “Chiquita Bacana”.
Acabei de dar uma passadinha no Trabalho Sujo e encontrei esse videoclipe aqui. O Matias faz um comentário muito legal. Você lembra do Ratinho do Castelo Rá-Tim-Bum? Pois. Dá uma sacada nesse clipe do Of Montreal. Nossa, minha infância está no Youtube. E a sua?
of Montreal - Brush Brush Brush from kate zee on Vimeo.

O disco leva 15 faixas, que vão de sucessos anteriores da banda, músicas novas, releituras e covers. As músicas “Gente boa” e “Samba rock do Bacalhau” são inéditas. Além disso, a banda repaginou “Galera do Fundão” da época de Little Quail & The Mad Birds, regravou “I SawYou Saying” (composta por Gabriel e o ex-Raimundos Rodolfo) e fez um cover esperto de “Eu vou vivendo” dos gaúchos do Walverdes.
O projeto é ousado, já que traz uma banda enérgica como Autoramas pra tocar versões “desplugadas”. Mas nem a proposta de tocar apenas violão deixou Gabriel Thomaz sentado. A gravação do projeto que foi exibido na MTV, dia 13 de novembro foi gravado com platéia, Gabriel e Flávia Couri (baixista) de pés, com muita animação. Peça fundamental das apresentações do grupo.
Seguindo a linha rock’n roll dançante misturado com uma pitada de surf music e rock sessentista, o disco conta com participações especiais de Roberto Frejat, Érika Martins, Big Gilson e Mulher Misteriosa Jane DeLuc nas castanholas e Humberto Barros. Destaque para as faixas “A 300 km/h” que incrivelmente ganhou mais força que a original. “Sonhador” que leva a voz de Frejat e o dueto feito por Gabriel e Érika em “Música de Amor”.
Com esse disco, o Autoramas mostrou que desplugado ou não, ainda comanda várias pistas, principalmente a do "Rrrrroock"!


